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Já ouviu falar nos modelos Slow Medicine e Choosing Wisely?

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Dois novos paradigmas vêm ganhando amplo espaço dentro da Medicina, repensando seu modelo de atuação. São eles o Slow Medicine e o Choosing Wisely. Ambos surgem no bojo de transformações que visam a amenizar o impacto negativo da vida moderna no bem-estar das pessoas.

Slow Medicine

O primeiro poderia ser traduzido como “Medicina sem pressa” e propõe mudanças na prática médica, ressaltando que o modelo atual de Medicina — que é expresso — reduz a qualidade do atendimento (assim como o fast food gera uma perda na qualidade dos alimentos). Segundo os propositores do Slow Medicine, esse modelo acelerado no diagnóstico e tratamento não é compatível com a proposta da Medicina. Gera médicos frustrados com a qualidade do trabalho, pacientes insatisfeitos e uma relação médico-paciente indiferente e apática.

A Slow Medicine resgata o tempo como parte do tratamento. Enfatiza o contato, a conexão entre profissional e paciente; propõe uma investigação real dos hábitos do enfermo e um plano de tratamento no qual ele esteja plenamente envolvido.

Pode ser compreendido como uma postura romântica e anacrônica da Medicina, embora não se oponha tacitamente ao uso de tecnologia. Defende o cuidado do paciente e a individualização do tratamento no lugar do uso de procedimentos invasivos e protocolos de diagnóstico e tratamento.

Alguns profissionais parecem se beneficiar mais deste conceito, como geriatras, especialistas em Medicina Preventiva e doenças crônicas. Seus propositores também defendem sua viabilidade nos sistemas públicos de atenção à saude:

“A Slow Medicine inverte a estratégia do sistema e certamente diminui custos, na medida em que investe prioritariamente em procedimentos de baixo custo e baixa complexidade [...]. Tudo faz crer que esta prática pode ter impactos positivos na redução dos custos da assistência médica.”[1]

Choosing Wisely

Na linha do pensamento sustentável que tem crescido em todos os setores da indústria, surge o segundo paradigma, o Choosing Wisely (ou “escolhendo sabiamente”, em tradução livre), que prega fim à cultura de desperdícios em procedimentos, o que denominam “sobreutilização de serviços de saúde”.

A proposta surge em 2012 nos Estados Unidos, pela American Board of Internal Medicine (ABIM), com o objetivo de repensar o uso de recursos desnecessários em diagnóstico e procedimentos. Objetiva a conscientização de médicos e pacientes a fazer escolhas mais apropriadas quanto às decisões de exames e tratamentos.

De acordo com este paradigma, apenas condutas com relevância e eficácia comprovadas devem ser recomendadas aos pacientes. Assim, evita-se submeter o paciente a exames desnecessários e a procedimentos sem comprovação científica e potencialmente danosos. Outro ponto de crítica do movimento é o overdiagnosis (ou sobrediagnóstico), termo que descreve o diagnóstico, por meio de diferentes exames e achados incidentais, de doenças que não gerariam sintomas no paciente e cujo tratamento pode causar mais dano que bem.

A campanha criada pela ABIM sugere que as associações de especialidades médicas listem recomendações para prevenir a má utilização de procedimentos em suas áreas. No Brasil, o Choosing Wisely está associado ao Proqualis e já tem adesão de algumas associações de especialidades.

Referências

[1] Slow Medicine Brasil

 

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